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| UM
PARECER SOBRE A MINHA PEQUENA COLEÇÃO DE AUTÓGRAFOS.
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Aqui
estão alguns dos autógrafos que fui guardando ao longo
do tempo. Essa pequena "coleção" provavelmente
não se compara a uma verdadeira coleção de
quem realmente resolveu sair a campo pedindo autógrafos.
A
idéia surgiu numa conversa com amigos, e ai resolvi montar
um texto e contar alguns dos acontecimentos que poderiam ser transformados
em ótima oportunidade para montar uma grande coleção,
mas a intenção não é essa, a verdadeira
intenção é mostrar como é divertido
deixar as coisas acontecerem, e só assim, no meu caso, resolver
montar uma coleção de ítens autografados. Não
importa muito o que seja, para um colecionador, vale autografar
uma foto, uma capa de revista, uma capa de cd, um card ou qualquer
coisa que marque um determinado momento. Os autógrafos que
coloquei aqui para ilustrar a matéria, sem ordem de data
ou importância, pois são importantíssimos para
mim, tornaram cada ítem, muito mais valioso do que realmente
são. Tornaram-se "únicos", e é com
essa certeza que posso afirmar, um autógrafo muda tudo !.
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UM
AUTÓGRAFO MUDA TUDO
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por
: J. A. O. / MDC
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Para
entender melhor este texto, sugiro que pensem a respeito da importância
que tem uma coleção para seu dono. Ora, uma coleção
é sempre um produto importante para o seu proprietário,
uma vez que não é simples montar e manter, mesmo que
seja uma pequena coleção.
Imaginem vocês, se estiverem
colecionando cards de jogadores de futebol, e tem aquele card com
a foto do Pelé quando foi tri- campeão na copa de
1970, no México. Até ai nada de mais, o card tem um
valor mediano em comparação aos outros cards de jogadores
da mesma coleção. Mas derrepente as coisas mudam..
Passasse umas boas horas na frente
de uma emissora de tv ou de um centro de treinamento, e parado ali,
juntamente com mais uns 30 ou 40 admiradores do Pelé esperando
uma oportunidade de conhecer o seu ídolo e eis que surge
uma oportunidade única de ter em mãos um dos cards
(aquele do Pelé) e pedir pra ele, o Pelé em pessoa,
autografá-lo. Feito isso, por um capricho do destino, ai
está o card mais valioso da sua coleção.
Podem
haver outros cards legais, mas aquele em especial, deixou de ser
um ítem coletivo e se tornou único. Se pensar bem,
ele deixou de ser um simples "card". Ele mudou!
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Autógrafo
de Eugênio Colonnesse ( 2004 ) |
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A
idéia e o propósito do autógrafo não
é tornar o "card" ou a "coleção"
mais valiosa do que geralmente ela é, a idéia é
ter um diferencial, que pra você, apenas pra você, a
coleção nunca mais vai ser vista com os mesmos olhos.
O
que
aconteceu com o card, no exemplo que eu dei, é o que geralmente
acontece quando estamos no lugar certo na hora certa e tudo conspira
para dar certo. Um simples momento que você nem se quer está
esperando que aconteça. Não é premeditado,
é surpresa.
Lembro
que numa apresentação do banda "Sepultura",
um amigo pegou um autógrafo do Derek, vocalista da banda,
em um guardanapo de cachorro quente. Imagine você, que aquele
pequeno pedaço de papel, tornou-se um objeto diferenciado.
Pode-se ter um pacote de guardanapos, mas só vai existir
um "guardanapo autografado". O engraçado naquele
momento, é que mesmo o Derek não pareceu se importar
com o que estava autografando e simplesmente escreveu no que lhe
foi dado. Sinal de respeito aos seus fãs.
De
certa forma, ninguém gosta de se tornar um fã chato,
que fica na "cola" do seu ídolo a procura de um
"oi", um aperto de mão, um autógrafo ou
uma foto.
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O
que temos que saber, é que aquela pessoa, que achamos conhecer
tudo sobre ela, nem se quer sabe que "você" ou "eu"
existimos. Ela nunca nos viu e nem sabe quem somos ou o que fazemos
da vida.
Mas
não se chateie com isso, afinal que culpa tem nossos ídolos
de não nos conhecer. Eu mesmo já tive várias
oportunidades de pegar autógrafos de pessoas famosas.
Numa
determinada tarde, desci com alguns amigos para tomarmos um café
na lanchonete de uma emissora de TV onde trabalho, e eis que na
minha frente estava o Maurício de Sousa tranquilamente sentado
tomando um cafézinho.
Simplesmente,
fiz o meu pedido ao atendente, e com um pouco de paciência,
aguardei até que o Maurício de Sousa acabasse seu
lanche. Me aproximei dele, me apresentei, e ele muito gentil, prestou
atenção no que eu comecei a falar. Disse que havia
feito um projeto de oficina de histórias em quadrinhos na
Cidade da Criança, em São Bernardo do Campo e começamos
a ter uma conversa, breve, porém uma conversa. Acho que a
coisa toda deve ter durado uns 20 minutos. Lembre-se, tempo suficiente
para pedir um autógrafo pra família inteira.
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Watson
Portela ( 1992 )
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Com
muita educação e muita atenção, ele
tirou um cartão do bolso e disse que eu passasse no seu estúdio
para que fosse possível conversarmos com mais calma e saber
mais detalhes sobre o projeto.
Agradeci
o cartão, sua atenção e paciência e com
um aperto de mão, encerramos aquela conversa. Pensei, nessa
hora, porque eu não tinha nas mãos um exemplar da
Turma da Mônica ... qualquer um serviria, mesmo que fosse
a edição "trocentos", nem precisava ser
um número significativo. Póis é, me dei conta
que poderia ter conseguido um autógrafo do Maurício
de Sousa sem muito esforço, mas não consegui. Perdi
uma boa chance.
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Ao
lado autógrafo do Angeli ( 1992 ) |
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Eu
na verdade nunca fui muito de incomodar as pessoas com essa coisa
de autógrafo. Mas, mesmo assim, tive muitas oportunidades
de incomodá-las. Mas na certa apareceria outras situações
como aquela.
Em
uma outra ocasião, nesta mesma lanchonete, encontrei o
Ziraldo. Lembro que ele estava acompanhado pelo diretor do programa,
onde ele (Ziraldo) daria uma entrevista.
Ziraldo
é um artista que eu admiro bastante ( Infelizmente ainda
não tenho o autógrafo dele na minha pequena coleção
), então pensei que aquela era a hora de incomodá-lo
... ou não?
Não
... nada de incomodar as pessoas, e foi bom, porque ele começou
a contar uns "causos" e o pessoal na lanchonete começou
a rir muito com as histórias, e claro, eu estava ali me
divertindo com tudo aquilo e rindo muito com o jeitão do
Ziraldo. Só sei que o tempo passou e ele acabou se despedindo
das pessoas e foi para o estúdio onde ia fazer a gravação.
Mas
a coisa não para por ai ... O que me diz de dar de cara
com o Marcelo Nova ? É isso mesmo, o Marcelo Nova saiu
apressado do estúdio e errou o caminho, acabou saindo em
um corredor perto dessa tão "abençoada"
lanchonete, e estavam eu e um amigo, quando paramos o Marcelo
Nova e esticamos em sua direção um caderno no jeito
pra ele não reclamar e nem recusar. Ganhamos um autógrafo
do Marcelo, escrito as pressas e acompanhado pela frase "Acho
que errei o caminho", e saiu dando risada.
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Autógrafo
da Márcia d'Haese ( 2010 )
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Sempre
é bom a gente lembrar de coisas assim, e esses encontros
casuais e engraçados, são acontecimentos que deixam
a vida da gente mais divertida.
Numa
dessas ocasiões acidentais, dei de cara com o Padre Marcelo
Rossi, que após me cumprimentar, muito educadamente estendeu
a mão e me presenteou com uma medalhinha da "Nossa Senhora
Desatadora dos Nós". Devo confessar que fiquei muito
impressionado, ele é uma pessoa muito carismática
e gentil e portadora de uma aura de tranquilidade. Tenho a medalha
que ele me deu e a guardo com muito carinho e respeito.
Mas
você deve estar se perguntando, "Será que esse
cara tá inventando história ou tudo isso que ele escreveu
aqui aconteceu mesmo ?".
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Autógrafo
do Maurício de Sousa ( 2010 ) |
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Posso
garantir que são todos acontecimentos verdadeiros. E tem
mais, uma dessas tardes em que a fome pega a gente de jeito, estavamos
indo jantar no refeitório da tv, eu e um amigo, entramos
e começamos a nos servir. Um pouco disso, um pouco daquilo
e uma vóz pergunta: "Estão satisfeitos?, estão
sendo bem atendidos ?". Bom, estamos falando do Lobão,
que estava do outro lado do balcão, passeando pela cozinha
do refeitório e supervisionando. Foi engraçado,
porque ninguém esperava uma cena assim.
E
por falar em refeitório, no SBT existe uma praça
de alimentação, onde a maioria dos artistas e profissionais
da casa fazem suas refeições rápidas. Estava
eu, em frente a um balcão de salgados e com uma fome de
doer, indeciso pra fazer o pedido e notei alguém chegando
muito perto. Parou e, em vóz baixa, começou dizendo
assim:
---
Se eu fosse você não comia "esfiha" não
!
Então, me virei pra pessoa e
vi na minha frente o Moacir Franco com uma cara de reprovação,
como se tentasse me alertar de algum perigo. Então, desconfiado,
acabei disfarçando e pedi um lanche natural, daqueles com
recheio que ninguém sabe o que é.
Fui
servido rapidamente e sem muita conversa. Recebi um papelzinho
com o preço, nele escrito o valor que deveria pagar ao
sair. Lanche caro !
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Ao
lado o autógrafo
do Luiz Gê (1992 )
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Em
seguida, o atendente se voltou para o Moacir Franco e, muito prestativo,
perguntou:
| ---
E o Sr, seu Moacir, vai querer o que? |
| ---
Ha ... me vê uma "esfiha" dessas ai ! |
Ai
ele me olhou, e rindo, esticou a mão e se apresentou:
---
Eu sou o Moacir Franco !
Deixei
o lanche no prato e, apertando a mão dele, respondi:
---
Prazer, Adilson ! Eu troco o lanche por essa "esfiha"
ai.
---
Tá louco, esse lanche ai é muito ruim !
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Autógrafo
do César Cavelagna ( 2008 )
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| Autógrafo
do Jackie Stewart - ( Presente da amiga Teresa Cristina ... Sabe tudo
de Fórmula 1 ) |
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Autógrafo
do Fausto ( 1991 ) |
É
gente,
tive o prazer de encontrar várias personalidades e trabalhar
com outras. E ainda hoje tenho oportunidade de conseguir mais autógrafos.
Pode até ser que, por causa do site, eu resolva pedir mais
alguns,
No
texto, contei as ocasiões em que a oportunidade apareceu
e eu não aproveitei para pedir os autógrafos. Talvez,
mais pra frente, eu escreva sobre as ocasiões em que eu consegui
esses autógrafos que estão ilustrando a matéria
e que guardo com muito cuidado e carinho.
Embora tenha admiração
por vários profissionais que encontrei ao longo dos anos,
nunca me passou pela cabeça, pedir a eles que autografassem
algo. Não sou um caçador de autógrafos, porém
não descarto a possibilidade de vir a conseguir mais alguns
para colocar no site. Até que seria divertido!
O
verdadeiro teor deste texto, e seu objetivo, é demonstrar
o quanto é importante entender sobre o "valor"
das coisas.
Não é o "preço",
mas o "valor" que um autógrafo tem pelo que ele
traz, em recordações, em histórias, em momentos
engraçados em que a gente se envolve e os amigos que a gente
faz na vida.
Esses
autógrafos que estão aqui, são valiosos e importantes
pra mim. Fazem parte de uma pequena coleção que é
exclusivamente pessoal e intransferível.
Não
se pode comprar um autógrafo ... é preciso ganhar
um !
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Minha
caricatura feita pelo Fausto Bergocce ( 1990 )
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Autógrafo
do Salvador Messina ( 1990 )
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Texto
e coleção : J.A.O / MDC
para o site "Maniadecolecionador"
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