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Eugênio Colonnese - 07 Julho de 2002  na 3 Fest Comix
 

Eugênio Colonnese nasceu em Fuscaldo na Itália em 3 de Setembro de 1929.

Chegou a morar no Brasil, em Santo André - SP, quando tinha dois anos de idade. Passou alguns anos no Uruguai e quando adolescente mudou-se para Buenos Aires na Argentina.

Em 1948 venceu um concurso de histórias em quadrinhos no Clube Social de La Boca.
Iniciou carreira em 1949 na revista "El Tony", adaptando uma novela de Robert Louis Stevenson, "La Resaca".

Em 1955 conheceu o roteirista e desenhista argentino Osvaldo Talo, formaram uma parceira em diversas histórias publicadas entre 1955 e 1963, a dupla dividiu o pseudônimo "Cota" (Colonnese-Talo) em trabalhos publicados em conjunto.

Em 1957, ao visitar a mãe em Santo André, Colonnese aproveita a viagem para apresentar seus trabalhos para Adolfo Aizen da EBAL. Jayme Cortez, editor na EBAL, encomenda a ele uma adaptação de Navio Negreiro de Castro Alves, a história foi publicada na revista Álbum Gigante em Julho de 1957.

Em 1961, colaborou com a editora inglesa Fleetway Publication.

Veio para o Brasil definitivamente em 1964, para a cidade de Santo André em São Paulo. Já morando no país, iniciou seus trabalhos com quadrinhos para a Editormex.
Nesse mesmo ano volta a trabalhar com Osvaldo Talo, que também havia decidido morar no Brasil.
Nos anos 60 o gênero mais popular de quadrinhos eram as histórias de terror.

Seu primeiro personagem de sucesso foi Mirza, A Mulher Vampiro, criada em 1967 para a editora Jotaesse.
No mesmo ano e para a mesma revista criou o Morto do Pântano, que mais tarde fez participações significativas ao lado de Mirza.
Colonnese criou ainda super-heróis X-Man, Superargo, Pele de Cobra, Gato e Mylar, além de ilustrar histórias de faroeste como Juvêncio, O Justiceiro do Sertão e Beto Carrero.

Durante os anos 60, ao lado do argentino Rodolfo Zalla (que também conheceu enquanto morava na Argentina) fundou o Estúdio D-Arte, que acabou se tornando uma editora em 1981 e passou a publicar os títulos Calafrio e Mestres do Terror.

Na década de 1970, deixou de produzir histórias en quadrinhos para se tornar diretor de arte de editoras como Saraiva e Ática, onde trabalhou até o final da década de 1990.

Em 1970 desenhou a "Chamada Geral -Epopéia", nessa história escrita por Pedro Anísio, Colonnese desenha vários personagens publicados pela EBAL durante seus 25 anos de existência, como O Judoka, Super-Homem, Tarzan, Mickey Mouse entre outros.
Ao lado do amigo Rodolfo Zalla, foi um dos responsáveis pela utilização de elementos de histórias em quadrinhos em livros didáticos.

Nos anos 80, voltou a produzir revistas em quadrinhos, e inovou ao desenhar em formato de quadrinhos o anúncio do Instituto Universal Brasileiro, publicado em diversos formatinhos da Editora Abril.

No ínicio da década de 1990, foi um dos desenhista da série Mestre Kim da Bloch Editores que se baseava no mestre de Taekwondo Yong Min Kim, sul-coreano naturalizado brasileiro que ajudou a popularizar a arte marcial no país.

Em 2001, o editor e quadrinista Franco de Rosa, convence Colonnese a produzir novas histórias, pela Editora Opera Gaphica. Osvaldo Talo e Franco de Rosa escrevem novos roteiros para um álbum da Mirza.

Nesse mesmo ano foi publicado o álbum "O Espírito da Guerra", o álbum compila quatro histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial e teria sido produzida entre 1967 e 1968. A editora Ópera Graphica faz uma edição limitada de 1.000 exemplares com autógrafo de Colonnese.

Em 2002 sai pela Opera Graphica o livro "A Arte Exuberante de Desenhar Mulheres".

Em 2003 foi lançado o álbum "War - Histórias de Guerra", roteirizadas por Gian Danton (baseadas em textos originais de Luiz Meri, também roterista das primeiras histórias de Mirza, A Mulher Vampiro).

 
O Espírito da Guerra - Eugênio Colonnese
 

Em 2004, Eugênio Colonnese, desenhou o álbum Cangaceiros - Homens de Couro #1, com roteiro de Wilson Vieira e capa de Mozart Couto, uma publicação CLUQ (Clube de Quadrinhos).

No mesmo ano publicou pela Editora Escala em co-autoria com o quadrinista Mozart Couto, a coleção "Eugênio Colonnese - Curso Completo de Desenho", composta de 5 revista, a série da dicas sobre a técnica do desenho artístico.

Ainda em 2004, sai pela Opera Graphica uma revista chamada "Bruuna X", uma paródia erótica a Druuna de Paolo Eleuteri Serpieri.

Em 2005, Colonnese desenhou o personagem Mister No para a Sergio Bonelli Editore.

Ainda em 2005, Eugênio Colonnese trabalha para a publicação de um álbum com histórias do Morto do Pantâno.

Em 2006 desenhou uma história da Tianinha para a revista "Total", uma revista spin-off da revista Sexy em formatinho.

Em 2007, desenhou a última história protagonizada pela vampira Mirza, a partir de uma idéia de Franco de Rosa e roteiro de Osvaldo Talo, a história foi publicada na revista Wizmania # 51 (Dezembro de 2007) pela Editora Panini, na história Mirza tem um encontro com o seu criador.

Em Março de 2008 foi publicado um álbum em homenagem aos 40 anos de criação de Mirza pela Mythos Editora.

Nos últimos anos Eugênio Colonnese ministrava aulas de desenho na Escola Estúdio de Artes.

Colonnese faleceu no dia dia 7 agosto de 2008, em São Paulo por falência multipla dos órgãos devido à problemas de saúde ocasionado por um AVC que já havia ocorrido em junho.

 

Mirza A Vampira - Eugênio Colonnese

 

O ACASO DE ABRIL DE 2004 . ..............por J.A.O / MDC

Minha mania de colecionador e o interesse por desenho começou cedo. Lembro que alguns livros de História do Brasil na década de 70 já me despertavam a curiosidade pra saber quem era aquele ilustrador, que com sutileza, desenhava tantos rostos bonitos. Convencia meus pais a comprar algumas revistas em quadrinhos e já conseguia distinguir o estilo do traço. Seu nome era Eugênio Colonnese.

Mais tarde vim a descobrir que se tratava de um artista italiano radicado no Brasil. Na época eu deveria ter uns onze anos de idade e foi quando comecei a me interessar por desenho. Queria aprender a desenhar daquele jeito. Com o tempo, acabei me tornando um desenhista e ilustrador, claro que jamais consegui chegar aos pés daquele artista que muito me influênciou,

O tempo passou, e em 2004, encontrei Eugênio Colonnese dando aula de desenho para uma classe de alunos previlegiados. Fiquei totalmente sem ação, pois foi puro acaso e nem me passou pela cabeça um dia encontrar aquele artista. Na dúvida, fui me informar se realmente se tratava de Eugênio Colonnese.

Depois da confirmação, aguardei até ele terminar sua aula, entrei na sala e fui conversar com ele. Como as aulas daquele dia já haviam terminado, ele se mostrou tranquilo e começamos a conversar.

Acho que devemos ter conversado por quase uma hora e fiquei sabendo que ele estava morando em Santo André, era praticamente meu vizinho por tanto tempo e só agora tive a oportunidade de encontrá-lo. Para fechar com cheve de ouro aquele bate papo, pedi a ele que autografasse um folheto, póis a casualidade não me permitiu ter em mãos um de meus exemplares da coleção. Acabamos por marcar uma nova conversa e ele se comprometeu a autografar algumas revistas.

Lembro que nessa mesma época acabei me mudando para São Paulo e estava trabalhando em dois lugares ao mesmo tempo. Estava passando por dificuldades e precisava de todo tempo disponível pra resolver aquela situação.

Enfim, o tempo passou tão depressa que, quatro anos depois, acabei lendo uma nota sobre a morte de Eugênio Colonnese.

Hoje, tenho várias revistas de desenho, histórias em quadrinhos e álbuns do artista. Guardo com muito carinho o autógrafo que consegui e fico feliz por tê-lo conhecido pessoalmente.

J.A.O. / MDC

 
     
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