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| Cabeçalho
desenhado por Angelo Agostini para o primeiro número da revista. |
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Estava eu revendo
minhas antigas e queridas revistas e, nessa bagunça organizada,
encontrei meus poucos exemplares da revista "O Tico-Tico"
e "Almanaque de O Tico-Tico". Fiquei horas revendo textos
e imagens. Foi impressionante o sucesso que esta publicação
teve entre o público infantil e intelectuais da época.
Lembro que na década de 60 ainda tive a oportunidade, como
criança, de usá-las para trabalhos escolares e passatempo.
Apesar de ter uma família simples e de poucos recursos, meus
pais jamais deixaram faltar livros, revistas ou qualquer tipo de
publicação que tivesse um teor educativo. Graças
à persistência, meus pais levavam a educação
e a cultura muito a sério. Claro que isso ajudou minha formação
e despertou meu interesse em literatura, filmes, quadrinhos e tudo
o mais que fosse transformado em informação. Essas
revistas, apesar de terem tido uma tiragem grande, tornaram-se raras,
póis muitas foram recortadas, pintadas e manuseadas ao extremo.
Encontrar um exemplar que esteja inteiro, é muita sorte.
O primeiro número
foi lançado em 11 de outubro de 1905 e o sucesso da revista
foi imediato, tanto que a primeira edição se esgotou
logo nos primeiros dias e foi reeditada com uma tiragem ainda maior.
O público leitor, ansiava por novidades e informação
cultural.
Hoje tudo está
muito fácil com a internet, a tecnologia, os computadores
e publicações de primeira. Um mundo que evoluiu conforme
nescessidade de muitos e oportunidades de poucos, no entanto, devemos
entender e respeitar o começo das coisas. Nada foi fácil
no passado. Principalmente a informação.
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| Antes de falar
sobre a revista "O Tico-Tico", vamos retroceder um pouco
no passado para que possamos entender a evolução e conhecer
outras personalidades que ajudaram a impulsionar e escrever os capítulos
do que hoje conhecemos como " A História dos Quadrinhos
Nacional". O surgimento das ilustrações e diagramações
que evoluiram para os padrões atuais. |
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A PRIMEIRA
CARICATURA FEITA NO BRASIL
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Vamos voltar
um pouco no tempo e ver onde tudo isso começou. O ano é
1837 e é dai que se tem notícia
da primeira caricatura feita no Brasil, "A Campainha e o
Cujo", atribuida a Manoel Araújo Pôrto- Alegre
, retratado (ao lado) por J.A.Boulanger em 1846.
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Manoel
Araújo Pôrto- Alegre
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"A
Campainha e o Cujo"
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O PIONEIRO
DAS HISTÓRIAS ILUSTRADAS
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| As coisas estavam
acontecendo e, intelectuais e artistas influenciados por publicações
vindas da Europa, tentavam criar situações inovadoras
na história cultural do Brasil. Surgiam talentos motivados
pela onda crescente de informação, e um dos pioneiros
nas "Histórias Ilustradas" foi Henrique Fleuiss
e seu personagem Dr. Semana em 1860. |
Henrique Fleuiss
Nasceu
em Colônia na Alemanha em 28 de agosto de 1824. Foi um criador
da imprensa humorística no Brasil e fundou a "Semana
Ilustrada", em 1860. A "revista" circulou até
1876.
Seus
projetos gráficos se estenderam para a publicação
de "Ilustração Brasileira" entre os anos
de 1876 a 1878 , e na sequência tentou a retomada da "Nova
Semana Ilustrada", em 1881. que teve sua publicação
interrompida por causa da morte de Henrique Fleuiss em
15 de novembro de 1882 na cidade do Rio de Janeiro.
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| É
considerado um pioneiro nas artes gráficas. |
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As
"Histórias Ilustradas" do Dr. Semana
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SURGE
A HISTÓRIA EM QUADRINHOS NO BRASIL
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Sébastien
Auguste Sisson
Nasceu na
França em 1824. De Paris para o Brasil onde se radicou
em 1852, no Rio de Janeiro foi litógrafo, desenhista
e biógrafo. No Rio de Janeiro abriu ateliê e dedicou-se
sobretudo a retratos.
Trabalhou
em importantes revistas da época , "o Album do Rio
de Janeiro Moderno", com cromolitografias e a "Galeria
dos Brasileiros Ilustres", publicada em fascículos
a partir de 1857.
Sébastien
Auguste Sisson teria sido, segundo o pesquisador Heman Lima (em
História da Caricatura no Brasil, de 1963, volume I, página
94) o criador da primeira história em quadrinhos do Brasil,
publicada na revista Brasil Ilustrada, em 1855 e 1856, para satirizar
os costumes sociais de meados do século XIX.
Sisson
faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 8 de fevereiro de 1898.
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Sébastien
Auguste Sisson
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Imagem
do site http://familiasisson.wordpress.com/
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Para
saber mais sobre Sébastien
Auguste Sisson,
visite http://familiasisson.wordpress.com/
onde poderá ser encontrado todo material possível
sobre ele. Um site rico em informações sobre o artísta
e seus trabalhos.
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ENTRA
EM CENA ANGELO AGOSTINI
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Natural de Vercelli,
na Itália, nasceu em 8 de abril de 1843. Estudou em várias
academias de artes na França e com 17 anos chegou ao Brasil.
Entre os anos de 1864 e 1865, Agostini publicou o periódico
"O Diabo Coxo", que era um jornal critíco e satirizava
massivamente os homens públicos, partidos políticos
e alta sociedade.
Em 1866, Agostini
lança um novo jornal, "O Cabrião". Continuava,
com esta publicação, a atazanar a sociedade, a religião
e a política paulistana. Todo este processo, custou-lhe várias
ameaças, forçando-o a deixas São Paulo definitivamente.
Entre muitos
acontecimentos em sua vida profissional, Agostini criou um roteiro
decupado em quadrinhos, cujo nome batizou de " As Aventuras
de Nhô Quim" em " Impressões de Uma Viagem
à Corte" lançada em 30 janeiro de 1869. Está
é considerada a primeira história com personagem permanente.
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Angelo
Agostini
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Angelo Agostini morreu no Rio de Janeiro em 28 de janeiro de 1910
com 66 anos. |
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NASCE
A REVISTA "O TICO-TICO"
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O
ano é 1905 e um novo século está começando.
Poetas, escritores, desenhistas e todo tipo de intelectuais colaboram
para tornar a sociedade mais inteligente e participativa. Talvez
com uma idéia utópica, ou quem sabe, um projeto
muito bem montado, o jornalista Luiz Bartolomeu de Souza e
Silva fundou a revista "O Tico-Tico". Não
havia até o momento, nenhuma publicação que
fosse direcionada ao público infantil. Luiz Bartolomeu
de Souza e Silva era experiente na direção de outras
publicações da época, embora uma revista
infantil fosse novidade, estava muito bem alicerçada em
uma outra publicação de muito sucesso, a revista
"O Malho" fundada em 1902. Para o lançamento
do primeiro número de "O Tico-Tico", foram utilizados
os melhores profissionais, as melhores máquinas para impressão
e toda a logistica de distribuição.
Coube a um
dos profissionais, a missão de tornar a revista "O
Tico-Tico" um sucesso histórico. Renato de Castro,
que ocupava o cargo de editor e também desenhava, coordenou
todo o processo.
Angelo
Agostini desenharia o primeiro logotipo da revista, que teve
uma tiragem de 10 mil exemplares e foi lançada em 11
de outubro de 1905. Talvez o sucesso fosse esperado, mas todos
se surpreenderam quando a revista esgotou em questão de
dias. As máquinas voltaram a funcionar e uma nova remessa
foi feita. Pouco tempo depois o número de tiragens subia
vertiginosamente para 30 mil exemplares.
Uma revista
destinada ao público infantil, acabou agradando aos pais,
professores e até personalidades intelectuais da época.
"O Tico-Tico" foi inspirada na publicação
francesa "La Semaine de Suzette". Desde o seu
primeiro número, a revista foi impressa a cores e teve
seu preço bastante acessivel, 200 Réis ( mais ou
menos uns R$ 4,00 hoje ).
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O
número 1 de "O Tico-Tico" - 11 de outubro
de 1905
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Edição
comemorativa out de 1955
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Eustórgio
Wanderley
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Luiz Bartolomeu de Souza e Silva
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EUSTÓRGIO
WANDERLEY - 50 ANOS DEPOIS
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| Na edição
comemorativa dos 50 anos da revista, lançada em outubro
de 1955, a página 15 é dedicada a Eustórgio
Wanderley. Com o título " Meio Século de Trabalho
e Dedicação" o texto escrito pelo próprio
Eustórgio Wanderley, narra sua paixão e determinação
em contribuir para a boa educação e formação
moral do cidadão brasileiro. Ele era professor e pertenceu
à Academia de Letras de Pernambuco, era poeta e teatrólogo,
pesquisador e pintor. Homem que fez de seu trabalho a sua vida e permaneceu
em seu posto de educador e apaixonado pela revista. |
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Coleção,
pesquisa e texto J.A.O. /MDC
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